
Tive a grata surpresa de, recentemente, assistir à peça intitulada Medo de morrer longe de ti, dirigida por Ana Luiza Fortes, encenada pelos atores André F. Costa, Heloisa Marina, Ligia Ferreira e Vinicius Coelho.
Trata-se de uma adaptação do argentino Marcelo Bertuccio, na qual os quatro personagens citados se encontram em local ermo e escuro, precisamente à noite, momento em que passam a compartilhar suas vidas, experiências, amores e paixões.
De forma desordenada, tal qual sonho e realidade, passam a relacionar-se, vivenciando, naquele momento, entre os quatro, sensações e medos por si vividos, de forma que o expectador passa a sentir-se integrante do enredo e da história, identificando-se com o perfil desajustado e instável daquele que ama.
Apesar de não ser o amor o tema principal da peça, impossível não vislumbrar ser comum a todos os personagens tal sentimento.
Desilusões, encantos, esperanças e insistências marcam as suas vidas, bem como da audiência silenciosa e concentrada.
Falar de amor é assim mesmo. É não conseguir falar. É sentir e não se exprimir. É claro como a luz que ilumina o rosto do ator e escuro como o ambiente que dá vida à peça. É doce e amargo.
É querer ouvir quando se fala. É querer falar quando se ouve. É fazer as malas, sair repentinamente, descobrir que não há aonde ir, voltar e resignar-se.
Nas palavras de Julio Cortázar: “Como si se pudiese elegir en el amor, como si no fuera un rayo que te parte los huesos y te deja estaqueado en la mitad del patio.”
O raio que nos parte os ossos também nos cega e nos tira os limites do conhecido, incitando-nos a aventurarmo-nos pelos caminhos nunca d´antes navegados.
Em As sem-razões do amor, o memorável Drummond simplesmente afirma: Eu te amo porque te amo! sem rodeios, sintetizando em poucas palavras a resposta para nossas perguntas mais intrincadas, que caberiam em páginas e mais páginas de escrita.
A peça termina, o público se retira, em continuidade as suas vidas. Com as mesmas dúvidas seguimos, com a lembrança de que amar é assim, tão normal quanto uma noite escura, frequentada por mim, por você e por eles.
2 respostas para “Doce ou Amargo? Doce e Amargo!”
Fran
1 outubro, 2009 às 20:13
o texto e a imagem casaram muito bem. hehehehe
dearaquecia. teatral
8 março, 2010 às 10:50
olá,
gostaríamos de agradecer pelas palavras, que muito nos emocionaram, e convidá-lo a nos assistir novamente. (;
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dearaquecia 25 fevereiro, 2010 às 20:54
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